
Tratamento
O tratamento para a maior parte das pessoas com RGE inclui as alterações do estilo de vida descritas na secção “Prevenção”, assim como eventualmente medicação. Se não se conseguir assim a resolução existe ainda a opção cirúrgica.
Há sintomas que podem ser considerados dependentes da acidez do refluxo e outros que são mais dependentes da presença física do refluxo do que da sua acidez. Esses últimos não são, evidentemente, tão bem controlados pelo uso de anti-secretores (Nasi et al., 2006).
Geralmente, as manifestações atípicas requerem terapia anti-secretora mais agressiva e por um período mais longo de tempo, quando em comparação com a RGE com sintomas típicos(Gurski et al., 2006).
MEDICAMENTOSO
Existem diversos medicamentos que podem ser utilizados para tratar o RGE, incluindo:
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Inibidores da bomba de protões — interrompem a produção de ácido pelo estômago e são muito eficazes no alívio dos sintomas. Bloqueiam a produção de ácido de forma mais potente do que os bloqueadores H2, embora demorem mais tempo a iniciar o seu efeito.
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Bloqueadores H2 — fazem com que o estômago produza menos ácido (exemplos: a famotidina, a cimetidina e a ranitidina). A dose de medicamento a tomar dependerá da gravidade dos sintomas.
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Protectores da mucosa —revestem, suavizam e protegem o revestimento esofágico irritado (exemplo: o sucralfato ).
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Anti-ácidos de venda livre —substâncias tampão que neutralizam o ácido. As formas líquidas destes medicamentos actuam mais rapidamente, mas os comprimidos são mais cómodos. Os antiácidos que contêm magnésio podem causar diarreia e os que contêm alumínio podem causar obstipação. O médico pode aconselhar o doente a alternar os antiácidos para evitar estes problemas. Estes medicamentos resultam em alívio sintomático durante períodos curtos e não cicatrizam a inflamação do esófago.
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Medicamentos que aumentam a motilidade —podem ajudar a diminuir o refluxo esofágico, pois ajudam o estômago a esvaziar-se mais rapidamente e, como tal, diminuem o tempo durante o qual pode ocorrer refluxo. Normalmente não são muito eficazes por si só e geralmente são usados em combinação com outras classes de medicamentos(Benckiser, 2013).
CIRÚRGICO
A cirurgia constitui uma opção quando há sintomas graves e difíceis de controlar, podendo também ser considerada para pessoas com asma ou pneumonias, ou tecido cicatricial no esófago ou outras complicações. Algumas pessoas que não querem tomar medicamentos durante períodos prolongados podem também optar pela cirurgia.
A cirurgia anti-refluxo pode ser realizada utilizando instrumentos orientados por uma câmara (cirurgia laparoscópica), o que requer incisões de menores dimensões do que a cirurgia convencional.
Num procedimento denominado fundoplicatura de Nissen, o excesso de tecido do estômago é enrolado em volta do esófago e suturado nessa posição de forma a aumentar a pressão em volta do esfíncter esofágico inferior enfraquecido.

Esta operação parece aliviar os sintomas de forma quase tão eficaz como os medicamentos bloqueadores da acidez gástrica sujeitos a prescrição médica. As taxas de sucesso da cirurgia podem ser mais baixas nas pessoas cujos sintomas não são aliviados pelos medicamentos antiácidos. Após a cirurgia, algumas pessoas apresentam efeitos secundários desagradáveis e prolongados (como dificuldade em engolir, diarreia e incapacidade para eructar – “arrotar” – ou vomitar para aliviar o enfartamento ou náuseas), mas a maior parte dos indivíduos ficam muito satisfeitos com os resultados.
Texto de Dra. verónica Abreu (Fisioterapeuta)
com a colaboração de Dra. Rosário Figueirinhas (Otorrinolaringologista)
Fisioterapia Respiratória, Julho 2015
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